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Professor Góes — 50 anos de dedicação a Coary

Saúde em Coari

Archipo Góes

Bibliografia de Benedicto Edelberto de Góes, o Professor Góes, que ficou por 50 anos cuidando da população coariense nas áreas de educação, saúde e na assistência jurídica.

Professor Góes

Dissertaremos sobre uma das principais personalidade de Coari no âmbito da educação, saúde, judiciário e história. Benedicto Edelberto de Góes, nasceu em São Luís no Maranhão em 25 de fevereiro de 1862, na segunda metade do século XIX.

Para ingressar nas instituições de ensino superior na segunda metade do século XIX era necessária a aprovação dos estudantes nos Exames Gerais de Preparatórios, e o professor Góes fez seus exames em 2 de outubro de 1873.

No dia 23 de maio de 1884, Benedicto Edelberto de Góes deixou o cargo de procurador da Câmara Municipal de São Luís e foi nomeado Despachante Geral da Alfândega, na vaga deixada pelo Sr. João Nepomuceno Hermes de Araújo, que se retira para a província do Amazonas.

Deu entrada na guarda da Primeira Companhia da Guarda Nacional[1] do Maranhão, e em 3 de junho de 1885 foi promovido de guarda a Alferes (Antigo posto militar, equivalente a segundo-tenente) na vaga de Arthur de Oliveira Almeida.

Em 11 de maio de 1887, o professor Góes viveu um dia que mudou totalmente suas perspectivas de vida. Faleceu sua genitora, Maria Bemvinda da Glória Góes, e a partir dessa perda, ele resolveu deixar o Maranhão e tentar uma nova vida no Amazonas, que estava em pleno desenvolvimento no primeiro ciclo da borracha.

No dia 19 de janeiro de 1989, o professor Góes dá início à sua jornada na província do Amazonas quando foi nomeado Promotor Público da Comarca de Itacoatiara.

Ele fez o concurso público para professor do estado do Amazonas e tomou posse no dia 9 de janeiro de 1891. Foi transferido em junho de 1893 para Coari, onde exerceu a função de professor, trabalhando apenas com o público masculino. Tornou-se intendente municipal (vereador) e no ano de 1895 renunciou ao cargo. Contudo, durante toda sua vida em Coari, foi reeleito intendente por várias vezes e chegou a ser Superintendente Municipal interino (Prefeito).

No ano de 1895, o professor Góes exerceu o cargo de Juiz Municipal interinamente por vacância do cargo, e estando ocupando o cargo de superintendente, poderia exercer a função. Em seguida, voltou a ser intendente (vereador) em 1896.

No dia 8 de março de 1900 iniciou na Loja Maçônica Esperança e Porvir, de Manaus, a primeira Loja Maçônica do Amazonas. Ele colou grau de Companheiro no dia 19 de maio de 1900.

Em 1906 tomou posse no governo municipal de Coary o coronel Ricardo Vicente Cluny. Durante sua administração, por várias vezes, foi substituído pelo professor Benedito Edelberto Góes. Ele permaneceu como intendente e professor até o ano de 1907, e a partir de 1908 até 1923, exerceu transitoriamente apenas o cargo de professor.

Em 11 de dezembro de 1917, Benedicto Edelberto Góes ficou encarregado da estação meteorológica de Coary e requereu da Delegacia Fiscal a entrega da verba, que foi disposta pelo diretor da despesa pública para fazer grande melhoria na estação da cidade.

J. F. FERRAZ em 1921 na sua obra “Através do Amazonas”, descreveu a atuação do Professor Góes na área de Saúde em Coari:

Os principais males, que afetam a saúde da população, são as feridas bravas, a verminose, o paludismo e as febres catarrais. No entanto, não existe ali nenhum médico, tampouco farmácia. Nos transes mais dolorosos, os doentes são amparados pelo farmacêutico Benedito Edelberto de Góes, que, valendo-se de seus preparados medicinais e de outros remédios adquiridos com grandes sacrifícios, não tem poupado esforços em combater as enfermidades, livrando muitos infelizes das garras da fatalidade”.

Ultimamente, esse abnegado descobriu um unguento de grande eficácia no combate as feridas bravas, assim como um colírio de efeitos positivos no tratamento de moléstias dos olhos”.

Na falta de produtos farmacêuticos, o professor Edelberto recorre aos remédios homeopáticos e até mesmo as dosagens caseiras, aplicando continuamente cozimentos de ogervão como soporífico pronto e seguro no tratamento de defluxos e cozimento de alfavaca como paliativo as bronquites e febres catarrais”.

“Não exige nenhum recurso pecuniário (pagamento em dinheiro) dos seus clientes e contenta-se em viver naquela vila com sua família quase à míngua, envergonhado da sua pobreza, mas sempre orgulhosos do seu caráter de homem honesto e laborioso“.

O Professor Góes foi casado Com Estephânia de Senna Marinho Góes, nascida na cidade de Tefé, no dia 30 de abril de 1872. Durante a vida que compartilharam e tiveram 9 filhos. Ela faleceu em Coari com 51 anos, no dia 24 de novembro de 1923.

Em 1926, Oswaldo Cruz visita à Vila de Coary e conversou com o Professor Góes sobre a realidade do local e da região da calha do Solimões para subsidiar o seu famoso relatório sobre a região, a malária e a imigração japonesa, em que Benedicto se mostrou contrário a imigração.

A partir de 1924 até 1929, além de professor, ele foi nomeado para Juiz Adjunto de Coari. Foi casado com Estephânia de Góes e geraram a seguinte prole: Guiomar, Adylles, Antônia, Ruth, Flávio, Eliezer, Elisabeth, Judith e Archipo. Eliezer Edelberto de Góes foi eleito intendente (vereador) em 1930.

Em 21 junho de 1931, foi fundada e instalada a Loja Fraternidade Maçônica Coariense e o Professor Góes fez parte da assembleia de inauguração. No funcionamento de uma loja há encarregados para diversos fins, dessa forma, aconteceu uma eleição, e ele foi escolhido para o cargo de Orador.

Há registro no Diário Oficial do Estado do Amazonas que até 1939, o professor Góes ainda estava trabalhando como professor em Coari.


[1] O império não poderia confiar inteiramente no Exército que tinha suas próprias ideias políticas. Optou-se por criar uma força armada formada pela elite, a Guarda Nacional. Seus membros eram todos os cidadãos com direito a voto e assim obteriam a dispensa de servir ao Exército. No entanto, não recebiam pagamento e eram responsáveis pelo próprio uniforme. O governo tinha a incumbência de fornecer armas e instrução. A maior patente que um civil poderia alcançar era a de Coronel e o título ficou reservado aos grandes proprietários de cada região. Desta maneira, gerou o fenômeno do “coronelismo” que tanto marcou a política brasileira.

Leia mais sobre a Cultura de Coari em:

Origem, Memória e Cultura do Boi-Bumbá no município de Coari-AM – de 1927 A 2000

A Chegada dos Padres Redentoristas em Coari – 1943

O Tacho – Lenda Coariense 3

Coari: Campeão do I Campeonato Amazonense de Handebol Masculino – 1977

Projetos desenvolvidos em Coari resgatam a cultura popular

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5 comentários em “Professor Góes — 50 anos de dedicação a Coary”

  1. Benedito Góes é mais um vulto histórico da trajetória da Vila de Coary que precisa ter sua história resgatada. Cada vez que a gente descobre um fato, um acontecimento ou mesmo uma figura histórica sobre Coari, a gente redescobre mais um pouco da história da identidade da cidade. Benedito foi uma das pessoas que também deram assistência ao prefeito Herbert Lessa, em 1927, nos últimos instantes de sua vida.

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