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O Trio Guadalupe – 1987

Guadalupe

Na década de 80 tínhamos uma TV colorida no nosso quarto. Um privilégio para a época. Eu e meu irmão tínhamos um acordo: aquele que acordasse mais cedo pegava a cadeira bem da frente da TV e teria poder sobre o conteúdo que íamos assistir. Afinal, quem ficava bem perto do aparelho, podia se esticar rapidamente para mudar os diversos 3 canais disponíveis.

Na frente daquela TV embarquei nas aventuras dos Goonies (1985) e as riquezas do pirata Willy Caolho; sonhei com o vestido da garota de Rosa Shocking (1986); me diverti com as loucuras de Ferris Bueller, em Curtindo a vida adoidado (1986) e dancei (dancei muito) de polaina, com a Alex de Flashdance (1983).

Aliás, os filmes de dança eram os meus preferidos. No quarto do sobrado em que morávamos dei muitos saltos e ensaiei muitas coreografias com minhas amigas Sirlene Bezerra Guimarães e Ráifran Silene Souza. Tudo para brilharmos nos palcos coariense.

Guadalupe
Ráifran dançando Flashdance

Não podia ter uma apresentação de dança, um concurso qualquer, que lá estávamos nós… inventando passos ou imitando os sucessos da TV.

Uma vez fizemos uma apresentação no palco do colégio Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, naquele palco de madeira, que tinha tábuas soltas e um buraco pequeno bem no meio. Eu dançando Ilariê, da Xuxa, toda montada com dois laços brancos no cabelo e uma bota até o joelho; a Ráifran na sua performance de Flasdance, porque ela fazia um espacate perfeito (coisa que eu nunca consegui apesar dos muitos esforços dela em me ensinar) e a Zazá dançando Madonna, que ela curte até hoje.

Guadalupe
Zazá dançando Madonna

Pela apresentação, ganhamos 3 brindes. Saímos do colégio animadas com nossos presentes. Fomos descendo a ladeira da igreja, curiosas para ver nossos prêmios. Eu ganhei um perfume, daquele tipo Seiva de Alfazema (mas não era o original, o que causou um trauma permanente), a Ráifran ganhou uma toalha de banho, daquelas que não enxuga nada (o que também causou um trauma permanente), e o presente mais “legal” de todos foi o da Zazá, uma sandália havaiana número 40, que não cabia no pé de ninguém. Esse causou risadas permanentes.

Em um outro momento, fomos fazer uma apresentação em um evento da Maçonaria. Provavelmente a pedido da minha mãe Simonete Lima que sempre organizava as festas junto com as Damas de Acácia (grupo formado por mulheres de Maçons). Criamos a coreografia, ensaiamos, improvisamos um figurino e fomos para apresentação. Na hora de entrar no salão, o Sr. Messias, que estava como apresentador do evento, pergunta:

– Qual é o nome do grupo?

Eis que eu olho para minhas companheiras de dança e ficamos em silêncio, sem saber o que responder, pois, não tínhamos chegado nessa etapa de profissionalização.

Ele então pega o microfone, e com a voz de veludo e elegante que ele tinha, anuncia:

– Com vocês, o Trio Gua-da-lu-peeee!!! (Não faço ideia de onde ele escolheu esse nome até hoje).

E nós entramos naquele salão de cimento avermelhado e fizemos nossa performance, com um final digno de ginástica olímpica onde a Ráifran e Zazá ficavam parcialmente ajoelhadas enquanto eu subia nas pernas delas e esticava os braços para alto, prontas para receber os aplausos entusiasmados do nosso público.

Infelizmente o trio Guadalupe não continuou. Mas a amizade… ah, essa prosperou lindamente!!!

A Escola

Manuella Dantas

Autora da crônica “O Trio Guadalupe”

Os maçaricos do igarapé do Espírito Santo têm nomes

O boi de França e o boi de Ioiô

Um Corpo Santo e as serpentes na brisa leve e na água agitada

Entre águas e sonhos: uma tragédia anunciada – Botos

A História do Miss Coari (1940 – 1967)

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6 comentários em “O Trio Guadalupe – 1987”

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Garantianos
Folclore
Archipo Góes

Correcampenses x Garantianos

A crônica Correcampenses x Garantianos, narra a rivalidade entre os bois-bumbás Corre-Campo e Garantido em Coari, marcada por brigas e um episódio de violência em 1989. A retomada do festival em 1993 e a vitória do Corre-Campo geraram reações distintas. A crônica reflete sobre a polarização social, a cultura popular como identidade local e a importância da tolerância para a harmonia.

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Santana
Literatura
Archipo Góes

Um dia de Santana em Coari em uma Igreja Ministerial

O texto narra a vivência da festa da padroeira de Coari, retratando a devoção à Santana, a padroeira da cidade, e a importância da fé para o povo local. A narrativa destaca a movimentação do porto, a participação dos trabalhadores da castanha, a procissão, a missa e o arraial, revelando a religiosidade popular e a cultura local. A história do patrão e dos trabalhadores da castanha ilustra a exploração do trabalho na região, enquanto a presença do bispo e dos padres reforça o papel da Igreja Católica na comunidade. O texto termina com a reflexão sobre a fé, a esperança e a importância da preservação da tradição.

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maçaricos
Literatura
Archipo Góes

Os maçaricos do igarapé do Espírito Santo têm nomes

Maçaricos, aves e crianças, brincavam lado a lado no Igarapé do Espírito Santo em Coari–AM. Um local de rica vida natural e brincadeiras, o igarapé variava com as cheias e secas, proporcionando pesca, caça e momentos marcantes como a brincadeira de “maçaricos colossais” na lama. O texto lamenta a perda da inocência e da natureza devido à exploração do gás do Rio Urucu e faz um apelo para proteger as crianças e o meio ambiente.

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França
Literatura
Archipo Góes

O boi de França e o boi de Ioiô

O texto “O boi de França e o boi de Ioiô” é um importante documento histórico que contribui para a compreensão da cultura popular e da tradição do boi-bumbá no Amazonas. Através de uma narrativa rica em detalhes, o autor nos leva de volta ao ano de 1927 e nos apresenta aos personagens e eventos que marcaram a introdução dessa importante manifestação cultural em Coari.

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Literatura
Archipo Góes

Um Corpo Santo e as serpentes na brisa leve e na água agitada

O texto “Um Corpo Santo e as serpentes na brisa leve e na água agitada” é um belo exemplo de como a literatura pode ser usada para retratar a realidade social e ambiental da Amazônia. Através de uma linguagem rica e poética, o autor nos convida a refletir sobre a vida dos ribeirinhos, a beleza da natureza e a importância da preservação ambiental e social.

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Santana
Literatura
Archipo Góes

O Novenário de Santana

A crônica “O Novenário de Santana” é um belo exemplo de como a memória afetiva pode ser construída e transmitida através da escrita. Através de uma linguagem rica e descritiva, a autora nos transporta para sua infância e nos convida a compartilhar de suas emoções e saudades.

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Boto
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Entre águas e sonhos: uma tragédia anunciada – Botos

Entre Águas e Sonhos acompanha a jornada de um homem marcado por perdas em busca de redenção. Ele confronta seus demônios e os perigos da floresta, em meio à beleza e brutalidade da natureza. Encontros intrigantes e eventos misteriosos tecem um suspense envolvente, conduzindo a um desenrolar cheio de reviravoltas. Segredos da floresta, natureza humana e a busca por redenção se entrelaçam neste conto que te convida a desvendar o destino de um boto.

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Rolar para cima
Coari

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