O Assassinato do Tenente Holanda em 1948

Archipo Góes

Aqui teremos um capítulo descrevendo a ambiente do assassinato do Tenente Holanda e o julgamento.

Os Ânimos Exaltados em Coari

No dia 06 de janeiro de 1948, o senhor Alvelos Dantas fez sérias denúncias sobre os fatos recentes na Câmara Municipal de Coari ao Jornal do Comercio. Ele ressaltou que os vereadores da UDN foram hostilizados pelo presidente Antenor Leitão e pelo vereador Enedino Monteiro. Citou ainda, que o cidadão Tertuliano Rebelo teve acesso ao púlpito e fez agressivos ataques ao Presidente da República, General Dutra. E o mais grave foi a denúncia que a vereadora Dulce Morais, UDN, “foi agredida barbaramente, ao sair da Prefeitura por dois capangas do Prefeito e do ex-ditador Montoril. No caso de o Sr. Governador do Estado não tomar sérias providências, brevemente haverá uma chacina neste município”.

Os trabalhos da Câmara foram encerrados com uma sessão especial noturna, no dia 4, tendo comparecido os coletores Raimundo Barreto e Manoel Morais, o padre José, Vigário da paróquia, o tabelião Dimas Rodrigues e grande massa popular. Os discursos pronunciados pelo presidente da Câmara e pelo vereador Enedino Monteiro fizeram constar da resenha dos trabalhos do legislativo, exaltando os beneméritos governos do general Dutra e do Sr. Leopoldo Neves (foi governador do Amazonas, de 8 de maio de 1947 a 31 de janeiro de 1951), aos quais endereçaram moções de apoio e solidariedade. Terminada a sessão, à saída do edifício da Prefeitura, a vereadora Dulce Morais, provocou uma discussão, trocando insultos com o trabalhador Modesto Ramos, sendo o incidente prontamente encerrado com a intervenção das pessoas presentes, sem que houvesse qualquer exaltação de ânimos.

Quanto à referência “haverá brevemente uma chacina neste município”, isto revela a existência de um plano sinistro de perturbação da ordem, premeditada pelos nossos adversários políticos, ao qual talvez não seja estranho o delegado de polícia, tenente Holanda, que continua publicamente detratando e hostilizando a administração municipal, afirmando não merecer meu governo apoio ou garantia de qualquer espécie, por parte de sua autoridade policial, atitude essa que já levei ao conhecimento do Exmo. Sr. Governador do Estado.

 A Volta do Gatuno Peruano

Em 23 de junho de 1948, Deolindo Dantas faz uma denúncia no Jornal do Comércio:

“Soubemos haver voltado à cidade de Coari, o perigoso gatuno Tomaz Peres, que, processado e pronunciado, por vários furtos que praticou naquela cidade dali fugiu amparado por um salvo-conduto, que lhe forneceu o então delegado de Polícia, Américo Leitão, na noite do dia em que fora, pela Promotoria Pública, requerida a sua prisão preventiva. Devo frisar que aquela época — da Ditadura — era Prefeito o deputado Montoril e nada se fazia ali sem a sua ordem. A volta desse larápio, àquela cidade, põe em sobressalto seus habitantes, além de ser desrespeito as autoridades, especialmente àquelas perante quem correu o processo”.

 Ameaça de Morte ao Deputado Montoril

No dia 27 de julho de 1948, o Jovem Dandi (Deolindo de Freitas Dantas) proferiu as seguintes ameaças:

“Encontra se preso, na cidade de Coari, o peruano TOMAZ PERES, por haver praticado inúmeros roubos, e ante o clamor que se levantou contra a presença daquele gatuno. Cumpre adiantar, que a maior vítima daqueles furtos, foi a firma comercial de meu pai e, em 1940.

Agora com a volta de Tomaz Peres, correm ali, insistentes boatos, que estão sendo averiguados, de que o Dep. Alexandre Montoril, havia oferecido a aquele larápio, a importância de dez contos de reis, para que o mesmo assassinasse o meu velho pai.

Infelizmente ainda não podemos concretizar estas denúncias. Todavia, verdadeiros ou não aqueles boatos, fica o Sr. Alexandre Montoril advertido, de que qualquer violência ou traição que venha a sofrer o meu velho pai ou qualquer outro membro de nossa família, as represálias não se farão esperar. Sabe que em caso de qualquer ofensa, quer seja moral ou física, nós, DANTAS, saberemos reagir à altura. Portanto, faça com que os membros de nossa família não sejam alvo da sanha do seus capangas e apaniguados, pois eu e meus dois irmãos estamos de atalaia, para revidar as ofensas que por ventura venhamos a sofrer.

Está o Sr. Alexandre Montoril acobertado pelas imunidades parlamentares, que lhe oferta a cadeira de Deputado, meu pai, infelizmente, não está a salvo de uma traição. Todavia, fica o Sr. Montoril sabendo que, juntamente com os seus, arcará com as responsabilidades do que nos venha a acontecer. Neste caso, as suas imunidades serão meras formalidades.

Meu pai, meus irmãos e eu somos homens de brio, a quem a sepultura ou o cárcere não nos amedrontam, ao ponto do impedir nos a salvaguarda da nossa honra”.

O Resposta de Montoril

No dia 28 de julho de 1948 o Jornal do Comércio publicou:

“Depois de aprovada a ata da sessão anterior e relatado o expediente, usou da palavra o Sr. Alexandre Montoril, para ler um editorial publicado, ontem, em nosso matutino, e assinado pelo estudante Deolindo de Freitas Dantas, após o que fez comentário em torno do mesmo, dizendo que era aquilo uma ameaça pública, e que, não sendo apático, podia mostrar aos três irmãos Dantas que não era covarde. Depois de dizer que tudo era mentira, bastando para tanto observar a linguagem, que bem podia definir a família, acabou por chamar os Dantas de “loucos”. Para sanar, de vez por todas, a questão, informava à Casa que já havia solicitado ao Dr. chefe de Polícia, em petição, abertura de inquérito a respeito”.

Pedida a Substituição do Delegado de Polícia de Coari

No dia 03 de setembro de 1948 o Jornal do Comércio publicou:

O orador seguinte foi o Sr. Alexandre Montoril, que manifestou o seu desejo de fazer um apelo em favor do município de Coari. Vinha o orador “prevenir acontecimentos lamentáveis, talvez de consequências imprevisíveis, no que diz respeito a ordem, ao bem-estar, à segurança pública, à garantia das autoridades daquele município”, e fazia essas declarações em vista “do que se planeja de maquiavélico e tenebroso, à sombra do amparo da autoridade policial, Sr. Tenente João Holanda Cavalcante, recentemente nomeado para delegado de Polícia dali. Depois de dizer ser esse cidadão seu inimigo pessoal, do prefeito e do povo em geral de Coari, e que o mesmo se encontra fazendo a política do sr. Deolindo Dantas, formulou uma indicação a Casa, no sentido de que o Sr. governador do Estado, Dr. Leopoldo Neves, tomando em consideração as suas alegações, nomeie um delegado insuspeito, podendo escolher uma autoridade da sua inteira confiança, contanto que para ali não vá fazer política, desejando perturbar a boa ordem administrativa reinante em Coari.

Outro fato que determinava a atitude do deputado Montoril, era que o Dr. Sebastião Salignac de Souza, Juiz de Direito da comarca, se encontrava ameaçado pela própria autoridade policial, nomeada recentemente”, conforme dissemos, e sim: “A presença do Sr. tenente Holanda em Coari, como delegado, importará também numa ofensa ao judiciário, pois, ligado como está aos meus inimigos, e inimigo das autoridades, a sua ação como delegado nesta conjuntura, ou melhor, nesta fase efervescente de ansiedade e tristes expectativas, coloca em perigo a vida do juiz de direito, o dr. Sebastião Salignac de Souza, integro e enérgico magistrado, pertencente a uma família tradicional desta terra, o qual também se encontra ameaçado na sua vida pelo próprio cunhado, Sr. Américo Dantas, que peitou o sr. Manoel Felix para assassiná-lo a faca, conforme declarou este na Polícia, em inquérito que está correndo na Delegaria daquela cidade.

Na sessão posterior houve a votação da indicação do Deputado Alexandre Montoril, em que o seu autor fazia um apelo que ao governador do Estado, para que substituísse o Tenente José Holanda Cavalcante, nas funções de delegado geral de Coari, para onde fora nomeado recentemente. Contudo, foi recusada por 12 votos contra 9.

 A Morte do Tenente Holanda

Observamos que a longa e épica disputa entre Deolindo Dantas e Alexandre Montoril pelo poder em Coari causou inúmeras intempéries e desavenças graves entre a década de trinta e cinquenta. Um fato marcante entre essa disputa entre UDN X PSD trouxe a Coari o tenente João de Holanda Cavalcante, com uma personalidade forte, rude, grosseira e que usava do autoritarismo para manter a ordem na pequena e pacata Coari.

Depois da longa noite da ditadura getulista e o retorno à prática da Democracia, a primeira passagem de Holanda por Coari, no início de 1948, deixou claro que a volta das eleições diretas municipais e a vitória do grupo de Alexandre Montoril (PSD) através da eleição de Edgard da Gama, incomodou profundamente a ala udenista coariense.

Na mesma época foi Governador do Estado, Leopoldo Amorim da Silva Neves, que apesar de ser filiado ao PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) de Getúlio Vargas, foi eleito entre uma coligação, fora do comum no Brasil, com a UDN (União Democrática Nacional), arqui-inimiga do ex-ditador. Dessa forma a UDN Coariense tinha influência no governo estadual e assim garantindo a escolha do aparelho de repressão policial, representado pelo tenente Holanda, que desafiava, desrespeitava e atacava a autoridade do então Prefeito Edgard da Gama, vereadores do PSD e do Juiz de Direito da Comarca, Senhor Sebastião Salignac de Souza.

Depois de muitas tentativas, por parte do deputado Alexandre Montoril, houve a remoção do Tenente Holanda da cidade de Coari, e a paz voltou a ser vivenciada por pouco tempo. Contudo no início de setembro de 1948, a notícia da volta do militar udenista encheu de preocupação os ânimos da população prevendo uma possível tragédia.

O Retorno do Tenente Holanda a Coari

Tenente Holanda ao desembarcar do vapor em Coari, a Terra dos Jurimáguas, foi recebido de forma áspera e provocativa.  Quando já em terra, foi abordado pelo senhor Doca Monteiro, escrivão de Polícia, dizendo-lhe este, que ele não poderia assumir o exercício do cargo, porque o Delegado de Polícia, Antônio Araújo (partidário de Edgard da Gama), havia recebido um telegrama do Chefe de Polícia do Estado, dizendo-lhe que não entregasse a Delegacia nem desse posse ao mesmo, sob pena de crime de responsabilidade. A essa intimação respondeu o tenente Holanda ao escrivão: “Não vim assumir, vim ver minha mulher, que se encontra doente”.

A Saída do Prefeito da Cidade

Foram feitas algumas intimações e convites em nome do delegado Antônio Araújo para uma festa e passeata, por ocasião da chegada do Tenente Holanda. As ruas estavam cheias de cartazes, com dizeres ofensivos a esse Oficial, que acabava de ser nomeado Delegado de Polícia de Coari. Quando tudo estava preparado, no momento exato de seu desembarque, uma multidão de pessoas enchia a Prefeitura, a Delegacia, as casas do Prefeito Edgar da Gama e do Presidente da Câmara, senhor Antenor Leitão.

O Prefeito então, resolveu viajar, e passou o exercício do cargo ao seu cunhado Antenor Leitão e partiu para Manaus, sob o pretexto de ir procurar garantias para aquela cidade. Antenor Leitão, menos experiente, aceitou a tarefa desagradável, com seu irmão Raimundo Leitão.

Chegado o prefeito Edgar a Manaus, no dia seguinte, vai ao telégrafo, na hora das comunicações telegráficas com Coari (13 horas), prostrando-se na estação telegráfica e dali retirando-se, após haver recebido o despacho esperado, anunciando a morte do Tenente Holanda Cavalcante.

A Visita as Casas e a Manifestação Pelas Ruas

O tenente Holanda foi a sua residência rever a família e, às 16 horas, saiu para fazer visita aos seus correligionários. Foi primeiro a casa do senhor Deolindo Dantas, contudo, onde somente se encontrava seu filho Américo Dantas (Jacó), em que soube que o senhor Raimundo Dantas (Alvelos) se encontravam em Manaus com seu pai, dessa maneira, como era costume, não poderia visitar sua família. Depois da visita, saindo, esteve nas Casas dos Senhores Dorval Melo, Benjamim Mussa e “Cabeça Branca”. Todavia, quando na volta ao seu lar (Rua Independência), ao passar em frente à Prefeitura (Pç Getúlio Vargas), observou um grupo de homens conduzindo cartazes com dizeres ofensivos a sua pessoa, na qual um destes representava um homem com as mãos cruzadas sobre o peito e a cabeça caída para um lado, como se estivesse morto, evidenciando as intenções de o matarem.

Recolheu-se, então o tenente Holanda a sua residência, sem ser, de outra forma, importunado. A partir das dezessete horas, os manifestantes voltaram à delegacia de polícia, de onde haviam saído. Sendo ali servido um farto jantar, fornecido pelo Prefeito em exercício, senhor Antenor Leitão, regado a guaraná e cachaça.

 A Morte

Era 20 horas do dia 08 de setembro de 1948, quando um grande grupo de pessoas, os comensais da morte, armados de rifles, facas, cacetes e até de uma metralhadora portátil, chefiados por Raimundo Leitão e Doca Monteiro, se dirigiram para a casa do Tenente Holanda, que fica na outra extremidade da cidade, passando pela praça São Pedro, Ponte do Igarapé de São Pedro (João Pessoa), Prefeitura Municipal, rua 15 de Novembro e rua da Independência, onde morava Tenente Holanda (Hoje seria a casa da tradicional família Barreto).

Ali chegados, após fazerem a intimação, por intermédio de Raimundo Leitão, irmão do Senhor Antenor Leitão, presidente da Câmara de Verea­dores e do Senhor Astrogildo Monteiro Maia, vulgo Doca Monteiro, escrivão de Polícia, para que naquele exato momento Holanda deixasse a cidade e nunca mais voltasse a Coari.

 Porém, mesmo tendo o tenente Holanda dito que se ia retirar, mas às primeiras horas da manhã, por não ter embar­cação de saída e por estar sua esposa doente. Foi dado o ultimato, mandando-o sair incontinente, ale­gando os líderes que havia uma embarcação à sua in­teira disposição e pronta para a viagem de retorno a Manaus.

Uma vez não obtendo a reposta desejada, cercaram-na a casa pela frente e pelos fundos, penetraram na mesma. Neste momento foi que o tenente Ho­landa, vendo-se ameaçado, dirigiu-se à sua esposa e disse que ia morrer, pois “esses covardes vieram matar-me. Porém, irão ver como é que se pode matar a um homem”. Dizendo estas palavras, encostou-se à parede, de revolver da marca mauser em punho. Trajava somente calça e camisa. Deu-se então a invasão de sua residência, pelos demais comensais. E na sala de jantar, onde se encontrava aquele Oficial, cercado por sua mulher e filhos, sob os gritos de “NÃO MATEM MEU PAIZINHO”.  Sendo agredido, reagiu, atingindo cinco pessoas, com a sua arma, após o que a mesma engasgou, dando margem para que o indivíduo Doca Monteiro o atingisse com uma única facada mortal. Holanda, ferido colocou a mão na parede da casa, a marca de sua mão ficou manchada na parede por muitos anos, mesmo depois de várias pinturas à cal.

Dos cinco indivíduos feridos pelas balas do tenente Holanda, dois, no dia seguinte, morreram. Um, na parte da tarde e o outro à noite.

A Fuga da Cidade

Após a passeata dos comensais da morte pelas ruas de Coari indo em direção da casa do Tenente Holanda. Jacó Dantas, filho de Deolindo Dantas, pegou o famoso barco da família e partiu para a praia do Jurupari com receio dos acontecimentos. A casa de Alvelos Dantas teve que ter guarda armada na frente e atrás, com ordem de quem se aproximasse, sem distinção fosse alvejado por chumbo e balas.

No dia seguinte, toda a família Dantas foi escoltada pelas ruas da cidade até um batelão que foi conduzido a Manaus pelo seu barco Alvorada.

A vereadora udenista d. Dulce Moraes, após a trágica ocorrência, temendo qualquer violência contra a sua pessoa, viajou para a cidade de Codajás, onde permaneceu até a volta da tranquilidade na cidade de Coari.

Uma força policial veio a Coari, fez investigações e tomou depoimentos de forma truculentas, ameaçando as testemunhas e torturando os indiciados. No final da investigação, foram encaminhados 26 suspeitos detidos para Manaus.

O Julgamento

Mais de um ano se passou, quando chegou o dia do julgamento dos réus da tragédia. Iniciou no dia 16 de outubro de 1949 e só terminou no dia 17, após 33 horas consecutivas de debates em torno da ocorrência.

Quando tinha se como certo, a condenação dos culpados — esfaqueador e seus corréus — resultou em suas absolvições pelo reconhecimento da preliminar de LEGITIMA DEFESA, apresentada pelos seus advogados reconhecida pelo Conselho de Sentença.

Um depoimento de Deolindo Dantas sobre o julgamento:

“Nunca se viu ato tão absurdo, do que esse reconhecimento de legítima defesa, num crime cometido à noite no interior do domicílio da vítima, onde penetrara um grupo de bandidos, superior a trinta, armados de rifles e facas, cacetes, quebrando cadeiras, mesas e outros moveis conforme ficou esclarecido nos autos. Na sala de jantar, ficaram aos gritos de socorro sua mulher e dois filhos de 5 e 7 anos. Atos como o desse julgamento são que fazem desacreditar na instituição do júri, criado em tempo, em que os homens tinham outra mentalidade, a política, ainda não havia invadido os sentimentos humanos como agora, e julgavam pela gravidade do fato e não pelos interesses partidários como aconteceu! E o julgamento, além de representar uma afronta a sociedade, um acinte a família do morto, e insegurança para os habitantes de Coari, pela volta desses bandidos aquela cidade, nos fez parecer mais um ring de partidos, do que propriamente um julgamento”.

Os advogados dos UDENISTAS, da acusação, não compareceram, não sabemos se receosos de enfrentarem seus adversos PESSEDISTAS da defesa, ou pelo nenhum interesse pela causa. Compareceu à sessão apenas, o Dr. Sá Peixoto, dos três advogados inscritos para acusação, esse mesmo, fez uma acusação pífia, cortada de apartes pelos da defesa e deixou a causa entregue a Promotoria, que por sua vez, não podia aparar todo peso de advogados da defesa.

O Prefeito “trabalhista” de Coari, Sr. Edgard da Gama Rodrigues, viajou três dias antes do julgamento, em Motor especialmente fretado, para assistir o mesmo e levar de volta a Coari os implicados. Os habitantes de Coari, estavam preparados com festivas manifestações, que não houve efetividade, pela criteriosa atitude do Cap. Adalberto Cavalcante, Delegado de Polícia, que não consentira, fazendo-os seguir imediatamente, para suas residências, após os seus desembarques.

O Atentado contra Edgard da Gama

Decorrido o julgamento e com o pronunciamento final, que foi o da soltura dos 26 réus, os membros da família enlutada não ficaram satisfeitos, de vez que, os homens por eles considerados responsáveis pela morte de seu chefe, haviam sido julgados e declarados impunes.

Precisamente às 18 horas e 30 minutos, do dia 17 de outubro de 1949, Manaus foi abalada com a notícia que o Sr. Edgard da Gama Rodrigues subia a rua Lima Bacuri, em direção a sua residência, que ficava naquela rua, no nº 356, quando em dado momento, estando mais ou menos na metade do trecho daquela artéria compreendido entre a Joaquim Nabuco e a Dr. Alminio, na calçada esquerda de quem sobe, foi subitamente agredido, pelas costas, por um dos filhos do tenente João de Holanda Cavalcante, que tem 23 anos de idade, com o nome de José de Holanda Cavalcante, com quem, muito embora houvesse travado luta corporal, para se desvencilhar, o que não conseguiu de vez que o primeiro dos ferimentos que o atingiu, a altura da 5ª costela direita, o deixou quase sem forças, ensejando isso ao agressor, possibilidade para que desfechasse outras facadas, as quais chegaram a atingir o número de sete.

A hora da agressão sofrida pelo sr. Edgard Rodrigues, à rua Lima Bacuri estava quase às escuras e, sem quase transeuntes. Da luta, conforme narramos, saiu ferido, por 7 vezes o Sr. Gama Rodrigues. O ferido, com esforço inaudito levantou-se e, com a mão direita no peito, conseguiu atingir sua residência, banhado, completamente, em sangue, de onde foi logo depois transportado ao Serviço de Socorro de Urgência.

No S.S.U. vários dos filhos do Sr. Edgard da Gama Rodrigues, os quais, indignados com a atitude do filho do tenente Holanda Cavalcante, diziam que há dias, ou melhor, desde a chegada de seu pai, vinham acompanhando-o, tantas vezes fosse necessário o mesmo sair à rua, sendo que o mesmo se armava, antes de qualquer iniciativa para a obrigação. Porém, desde que, passado o julgamento, os filhos da vítima resolveram deixar de acompanhá-lo, e este, ao sair de casa, deixou a arma. Acreditam os filhos do Sr. Gama e ainda as próprias pessoas que o viram levantar-se após ferido, que mesmo se estivesse armado naquele momento, teria morto seu agressor.

Excerto do livro “A História de Coari” – Archipo Góes”

1 comentário em “O Assassinato do Tenente Holanda em 1948”

  1. O cenário de todos esses fatos e acontecimentos políticos, na sede da cidade de Coari, ainda revela toda uma atmosfera de disputas e paixões partidárias.
    E a história prosseguiu pra Manaus, onde os descendentes da vítima do ataque tentaram revidar da mesma forma.
    É um enredo típico das grandes histórias narradas na literatura nordestina. Um épico!

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