Recordando os Esquecidos Coarienses

Francisco Chagas Simeão da Silva
Coari Amazonas – 1992

 

Quero aqui despertar
A sua curiosidade
Pra ver se ainda lembra
Desta personalidade
Foram gente que fizeram
Sucesso nesta cidade

Por isto preste atenção
que não vou sair do tom
Mostrando que sou entendido
possuidor deste dom
por isso é que lhe garanto
recordar é sempre bom

Comece agora mesmo
Mas antes pare e pense
me ajude a divulgar
porque todos eles merecem
Vamos juntos recordando
os esquecidos COARIENSES.

Você talvez não conheceu
Ou seu nome nunca ouviu
foi um grande prefeito
que nesta terra surgiu
seu nome era conhecido
por CORONEL MONTORIL.

Assim passou o tempo
o Coronel foi primeiro
mas para recordação
ficou o seu companheiro
com o nome bem conhecido
chamado CHICO ENFERMEIRO.

Chico Enfermeiro se foi
GALINHA DOIDA surgiu
só querendo ser bonito
mas beleza nunca viu
era uma galinha doida
com pouco tempo sumiu.

CHICO DOIDO é outra peça
que não pode ser esquecida
pois a primeira ponte
por Chico foi construída
então não vamos esquecer
deste ente tão querido.

O Chico doido morava
lá na Chagas Aguiar
dono de uma serraria
onde vivia a trabalhar
com o tempo o Chico se foi
não sabemos onde está.

surgiram quatro irmãos
antes do ralar do sol
um era o SABÁ TARTARUGA
o outro o RAIMUNDO ANZOL
E o JOÃO CAVALARIA
e MANOEL BOTIJA NO ROL

Deixemos os quatro irmãos
para seguir mais seguro
e lembrar deste personagem
pra não ficar no escuro
você ainda se lembra
do VICENTE PÉ DE BURRO.

Vicente era boa gente
só andava nos conformes
mas para atanazar sua vida
teve um azar enorme
com poucos dias pintou
na cidade o FAZ QUE DORME.

A presença do faz que dorme
esta era divertida
para acabar sua graça
apareceu o EGILDO
UM QUE se tornou famoso
como comedor de VIDRO

Comia de qualquer jeito
parecia ser milagroso
não importava o tipo
comia só de manhoso
chegou um que não acreditava
chamado CHICO DUVIDOSO.

O tal Chico duvidoso
é difícil que se esqueça
pois tinha um mal danado
que este era ruim à beça
Ele passava o dia todo
Duvidando com a cabeça.

Balançava pra todo lado
E só fazendo besteira
cada vez que balançava
Era fazendo asneira
Duvidoso foi embora
ficou o ZÉ GAMELEIRA.

Com o tempo Gameleira
se não me engano foi morto
Mas logo em seguida pintou
o seu RAIMUNDO DO PAU TORTO
carregando água no pau
dês da beirada do porto

COM O PAU TORTO E AFIADO
PARA NÃO ESCORREGAR
CARREGAVA TODO DIA
ÁGUA PARA SE LAVAR
ENCONTROU O SEU AMIGO
chamado ZÉ TACACÁ.

Zé tacacá era gago
que apoquentava os vizinhos
Bem perto dele morava
nosso amigo ZÊ ROCHINHO
se subisse mais um pouco
encontrava o CACHIMBINHO.

Todas estas três peças
para mexer se escolhe
Vou deixá-los aí mesmo
enquanto as coisas melhorem
para fazer você lembrar
Do seu RAIMUNDO BOCA MOLE.

Boca Mole eram um velho
que tinha os lábios aleijado
os beiços tipo molambo
correndo pra todo lado
Quem não olhasse direito
Dizia que foi cagado.

CHICO PIMBA era pescador
desse que não tinha medo
morava logo aqui perto
dentro da baixa São Pedro
pra todo mundo prestou
mas o apelido era o segredo.

Para não esquentar a cabeça
também não sair da linha
agora que me lembrei
desta coisa engraçadinha
creio que vocês conhecem
a nossa amiga tortinha.

TORTINHA era boa gente
apesar do balançado
cada passo que dava
o povo dava risada
não era da sua cara
mas era do rebolado.

Vou deixar a tortinha
para ver com quem se bole
vou mexer com o seu modesto
dizem que virava RODE
o negócio é meio feio
mas comigo ninguém pode.

Mas uma dupla surgiu
para alegar o coração
PLACO PLACO e BOLA SETE
no meio da multidão
são mulheres que fizeram
homens chorar de paixão.

Quando a dupla chegava
era de encher o palco
os homens todos danados
uns mais forte outros mais fraco
quando se via dizer
chegou bola sete e placo placo.

Esta dupla vou deixar
com sucesso absoluto
para mexer com este
que está a nossa escuta
você talvez se esqueceu
do nosso amigo batuta.

BATUTA na sua casa
só escutava os esturro
pois os seus grandes amigos
era um monte de cachorro
que ajudavam o dono
a nunca pedir socorro.

Batuta aí vai ficando
com a sua cachorrada
para mexer com esta dupla
que era uma parada
cada noite tinha um
no meio da bicharada

Os dois quando estavam juntos
só em pensar me arregalo
Modesto virava BODE
E Joaquim costa cavalo
nisso quero que acredite
sempre é verdade o que falo.

Ainda restam alguém
desta dupla sensacional
mas vou deixar por aqui
pra não mexer com animal
porque lembrei um amigo
que o seu nome era PASCOAL

PASCOAL só trabalhava
não procurava conforto
o pobre além de feio
ainda era todo torto
não sabemos como foi
que um dia apareceu morto.

Mais a vida é mesmo assim
cheia deste bafafá
creia que ia esquecendo
desta beleza buscar
será que já se esqueceu
da nossa amiga BIÁ

Eu ainda não esqueci
gostava do jeito Dela
Mas agora lembrei outro
que parecia com ela
Só o nome era diferente
Pois chamavam ZÉ REMELA.

ZÉ REMELA só gostava
de andar sempre levado
o próprio nome já diz
que o cara era relaxado
Pintou o seu grande amigo
chamado DIMAS POLEGADA.

Se formos mexer com todos
estes versos não resumo
não estou podendo esquecer
do meu amigo TIRA RUMO
que carrega o seu carro
tirando sempre no prumo.

TIRA RUMO na cidade
Só pode andar vexado
pois de longe a gente vê
os seus olhos quase fechado
E fica doido da vida
quando é apelidado.

Não vou mais com tira rumo
porque se não ele se Zanga
pois estou lembrando outra
que é boa pra caramba
não sei se você conheceu
a famosa MARIA PORONGA.

Esta Maria poronga
é difícil de entender
pois pelo nome da mesma
era dura de roer
com este seu apelido
ela devia acender.

Deixe a poronga acesa
se não vai dar sururu
para lembrar outro
que a cara era um angu
o povo só lhe conhece
como ZÉ CURURU.

Zé cururu era feio
que só em olhar se espanta
apareceu um outro
que este só dava bronca
não sei se você lembra
do seu João BUNDA BRANCA.

O seu João bunda branca
vivia encabulado
por todo canto que andava
o nome era divulgado
pois o povo só pensava
que o Homem era pintado.

Vou parar com o seu João
pois pode refletir mágoa
Eu não quero entrar nisto
creia que o meu nome é chagas
pra fazer você lembrar
do famoso CORTA ÁGUA

CORTA ÁGUA onde passava
pelo povo era enxergado
pois sofreu um acidente
que quase mata o danado
e para infelicidade sua
ficou com um lado aleijado.

De longe você enxergava
o seu corpo a balançar
parece que vinha cortando
todo tempo sem parar
chamavam de corta água
pelo jeito dele andar.

Já mexi com muita gente
mas agora vou parar
se você ainda vive
Eu não quis lhe maltratar
é só para mostrar ao povo
que é bonito recordar.

Me comprando o livrinho
creia que vais me ajudar
porque sem a sua ajuda
Eu não posso prosperar
só vocês me deram forças
para a vitória alcançar.

Comecei descobrir gente
Houve até quem censurasse
Assim mesmo fui fazendo
Garanto que vai dá graça
A profissão não é esta
Se vier outro Eu faço.

São gente que já se foram
Importante é relembrar
Moro na mesma cidade
E conheço como está
A esperança não morre
Opera até se findar.

Fim

 

07

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